Na terça-feira (27), diversas mídias do Brasil, Argentina e Estados Unidos divulgaram que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que foi derrotado por Lula no segundo turno das eleições no domingo (25), já estaria em um voo rumo aos Estados Unidos. Contudo, um comunicado oficial emitido pelo governo argentino na madrugada de quarta-feira (28) refutou essa sequência de eventos. Informações da Dirección Nacional de Migraciones indicam que o senador cruzou a fronteira somente às 22h50 de terça-feira, e seu jato partiu com destino declarado a Guayaquil, no Equador. O destino final após Guayaquil ainda não foi confirmado, mas relatos sugerem que Flávio tem planos de ir para os Estados Unidos, onde reside também seu irmão, Eduardo.
A Migraciones, em um comunicado publicado no X, havia afirmado pela manhã que não existia registro da entrada de Flávio na Argentina. No entanto, às 2h01, o órgão atualizou a informação, confirmando que o senador ingressou no país pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que conecta Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú, na província de Misiones. Ele estava acompanhado pela esposa, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e suas duas filhas, corroborando a informação anteriormente veiculada pela Agência Pública sobre a ausência das crianças na escola em Brasília.
Conforme mencionado na publicação, todos os integrantes do grupo apresentaram documentos válidos para a viagem e não tinham impedimentos legais. A entrada na Argentina foi realizada sem nenhum incidente. Aproximadamente quarenta minutos depois desse registro, às 23h30, eles embarcaram em um voo privado da Baires Fly S.A., com destino a Guayaquil. Monitores de voos reportaram que a aeronave passou sobre a cidade equatoriana por volta das 5h40. Em seguida, por volta das 6h20, o avião levantou voo novamente com direção ao Norte – aparentemente rumo aos Estados Unidos.
A partida de Flávio se deu após uma ordem do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal para que ele entregasse seus passaportes à Polícia Federal e fosse incluído no sistema migratório Sonar. O senador não atendeu ao prazo estipulado para essa entrega até as 11h de terça-feira e teve seus passaportes cancelados pela PF. Ele é alvo de investigações no STF por suspeitas relacionadas à lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
No contexto do Mercosul, o uso da carteira de identidade como documento para viagens é aceito, o que explica a afirmação da Migraciones sobre “documentação hábil”. A forma como o senador conseguiu atravessar a Ponte Tancredo Neves sem ser detido pelo lado brasileiro ainda permanece sem esclarecimento, uma vez que seu nome estava registrado no Sonar.
O jato utilizado pertence à mesma empresa que transportou Javier Milei, presidente argentino, em sua viagem aos EUA após as eleições. Reportagens argentinas indicam que essa companhia possui ligações com Maurício Macri e levantaram questionamentos sobre os custos do voo de Milei em 2023. O preço da viagem variou entre R$ 1,2 milhão e R$ 1,35 milhão. Até agora, Milei não reconheceu a vitória de Lula nas eleições.
Desmentido sobre chegada aos EUA
As informações oficiais contradizem as notícias anteriores sobre Flávio já estar nos Estados Unidos; fontes próximas à família e ao círculo político do senador haviam informado que ele teria partido para lá e que seu voo já estaria em andamento. O portal argentino Infobae afirmou que ele cruzou a fronteira utilizando sua carteira de identidade em direção a Puerto Iguazú antes de seguir em um voo privado para os EUA.
Segundo a linha do tempo oficial apresentada pelos órgãos competentes, enquanto esses rumores estavam circulando, Flávio ainda não tinha passado por nenhum controle migratório argentino. Além disso, seu jato também não havia iniciado a decolagem. A aeronave é um Gulfstream G400 registrada sob matrícula argentina LV-JQW.
De acordo com informações veiculadas pelo jornal Clarín, houve uma retenção na hora da decolagem devido a pendências documentais relacionadas a um dos passageiros. O portal Misiones Online informou previamente que o avião estava presente no aeroporto de Puerto Iguazú e faria sua partida para Guayaquil.
As negativas oficiais dadas na terça-feira (27), que pareciam contrabalançar as alegações sobre uma possível fuga do senador foram consistentes com os dados divulgados posteriormente. Na parte da manhã, Migraciones declarou não ter registro da entrada do senador no país. Mais tarde, Fabián Fernández, porta-voz do presidente Javier Milei negou à Bloomberg qualquer confirmação sobre Flávio ter entrado na Argentina. O comunicado emitido pela Direção Nacional de Migrações confirmou que ele ainda não havia feito tal entrada.
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