Mineradora canadense acusada de intimidar comunidade indígena na região da Volta Grande

Nos últimos meses, a mineradora canadense Belo Sun tem enfrentado resistência por parte de associações indígenas que representam os povos Juruna (Yudjá) e Arara da Volta Grande do Xingu. Em uma assembleia realizada em dezembro de 2025, essas associações aprovaram uma ata que anulava oficialmente a consulta prévia realizada pela empresa no processo de licenciamento. As comunidades declararam o procedimento inválido e suspenderam qualquer tipo de tratativa com a mineradora, encerrando assim o diálogo coletivo.

No entanto, após essa decisão coletiva, representantes da Belo Sun teriam buscado dialogar diretamente com lideranças específicas em reuniões restritas, ignorando a deliberação das associações. Segundo denúncias formais apresentadas pelas comunidades, essa estratégia tinha como objetivo fazer com que indivíduos revisassem as posições já manifestadas pelo grupo, em um cenário de pressão e fragmentação das comunidades indígenas.

As abordagens da empresa ocorreram sem solicitação formal de ingresso nos territórios indígenas e sem o acompanhamento de órgãos do Estado, violando o modo tradicional de organização dos povos da região, que deliberam de forma coletiva sobre o futuro de seus territórios. As lideranças indígenas se sentem pressionadas e acuadas com a continuidade desse empreendimento.

Impactos ambientais e sociais na região

Essa pressão corporativa da Belo Sun ocorre em um contexto de degradação ambiental na região da Volta Grande do Xingu. A construção e operação da usina hidrelétrica de Belo Monte já resultaram em mudanças profundas na dinâmica das águas do rio Xingu, prejudicando a reprodução da vida aquática e impactando diretamente as comunidades que dependem do rio para subsistência.

A redução drástica do pescado tem afetado a alimentação das famílias indígenas, assim como a manutenção de seus modos de vida tradicionais. O projeto de mineração da Belo Sun, que pretende explorar ouro em larga escala em uma área já fragilizada, acende alertas de organizações socioambientais sobre os impactos cumulativos na região.

O processo de licenciamento da Belo Sun apresenta pendências técnicas substanciais, com falhas apontadas no Estudo do Componente Indígena e na consulta às comunidades afetadas pelo empreendimento. A delegação da responsabilidade de consulta a empresas contratadas pela mineradora compromete a validade desse processo, violando direitos garantidos pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho.

Conflito judicial e resistência indígena

Após uma decisão judicial que restabeleceu a licença de instalação do empreendimento, lideranças indígenas de diversas etnias estão acampadas no prédio da coordenação regional da Funai, em Altamira, no Pará. Elas protestam contra o avanço da Belo Sun e exigem a suspensão definitiva do projeto, em um cenário de pressões ambientais insuportáveis na região.

Mesmo diante da resistência e mobilização das comunidades indígenas, a Belo Sun se manifestou afirmando atuar conforme a legislação e respeitar as comunidades nas esferas judiciária e administrativa. No entanto, as lideranças indígenas veem o diálogo oferecido pela empresa como tentativa de cooptação em um território já fragilizado e lutam para não desaparecer diante dos interesses corporativos.

By Brasilia Hoje

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