Após revogação de decreto sobre rio Tapajós, líder indígena compartilha ensinamentos com a sociedade

Dezenas de pessoas se reuniram em uma grande roda para um ritual de preparação na última segunda-feira, 23 de fevereiro. Com os silos de soja e milho ao fundo, e o tempo correndo contra o prazo dado pela Justiça para desocuparem o entorno de um terminal portuário da Cargill, eles se preparavam para um possível confronto com as forças policiais. Em meio à tensão, um grito para olhar o WhatsApp foi o suficiente para transformar a atmosfera em uma comemoração.

Após 33 dias de mobilização indígena na região Tapajós, que incluiu a ocupação da área da multinacional agrícola americana, obstrução de rodovias e interrupção do transporte de grãos no rio Tapajós, o governo federal revogou o decreto 12.600 que abria espaço para a concessão de hidrovias em três rios amazônicos: Tapajós, Madeira e Tocantins.

Auricelia Fonseca Arapiun, liderança do movimento dos povos indígenas do Baixo Tapajós, compartilhou a lição aprendida: a luta popular, a resistência e o enfrentamento são capazes de mudar a realidade.

A ocupação começou com cerca de 60 pessoas dos 14 povos do Baixo Tapajós, desafiando a gigante do agronegócio. Em 10 dias, já eram 700 indígenas organizados para estabelecer infraestruturas básicas, realizando assembleias e espalhando sua mensagem.

Após a tensão causada pela ordem de reintegração de posse, os manifestantes decidiram ocupar o escritório da Cargill em um movimento de pressão. Dois dias depois, as lideranças foram à Brasília se reunir com ministros do governo, culminando na revogação do decreto pelo presidente Lula em 23 de fevereiro.

O movimento reuniu 1.500 pessoas, incluindo diferentes povos indígenas, que se uniram para proteger seus direitos territoriais e resistir às ameaças do agronegócio, como o projeto da Ferrogrão. Apesar da vitória, os desafios futuros incluem a eleição e a garantia das demarcações das Terras Indígenas na região.

By Brasilia Hoje

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