Duas correntes de pescoço que pertenciam ao renomado pianista brasileiro Francisco Tenório Cerqueira Júnior foram entregues a seus familiares como forma de homenagem. O músico foi sequestrado e assassinado aos 35 anos em Buenos Aires, em 18 de março de 1976, em um crime atribuído ao terrorismo de Estado da ditadura argentina.
Tenório, um dos maiores pianistas brasileiros, teve uma carreira brilhante e colaborou com artistas renomados como Milton Nascimento, Lô Borges, Gal Costa, Beto Guedes e Edu Lobo.
Em uma cerimônia emocionante realizada no Rio de Janeiro, Sofia Cerqueira Borges, neta do músico, expressou a importância de receber os pertences do avô após 50 anos. A entrega das correntes foi feita pela Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP).
Filhos e netos de Tenório Jr. descobriram a verdade sobre o destino do pianista no ano passado, quando a Equipe Argentina de Antropologia Forense confirmou que os restos mortais encontrados em 1976 eram dele. A família recebeu a certidão de óbito retificada em dezembro e, recentemente, recuperou suas correntes.
Identificação e restos mortais: “O corpo mesmo dificilmente será encontrado”
A identificação de Tenório Jr. foi possível devido a um inquérito aberto em 1976 pela polícia argentina. No entanto, os restos mortais do pianista ainda não foram localizados.
O EAAF vem trabalhando desde 2013 para cruzar as informações com casos de desaparecidos argentinos, mas até o momento não foi possível localizar os restos mortais de Tenório Jr. A presidente da CEMDP destacou a importância desse momento para a família.
Quem matou Tenório Jr.?
A autoria do crime que vitimou Tenório Jr. foi alvo de diversas versões ao longo dos anos. Uma delas envolvia militares argentinos que teriam sequestrado e torturado o pianista. Com a identificação dos restos mortais, uma nova investigação deverá ser aberta para esclarecer os fatos.
O envolvimento de militares argentinos no sequestro e morte de Tenório Jr. não pode ser descartado, já que a ditadura argentina realizava operações de “antiterrorismo” antes do golpe militar. A verdade sobre o que aconteceu com o pianista ainda aguarda esclarecimento.
