Com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) se aproximando em 2026, muitos estudantes estão intensificando seus estudos na esperança de obter um bom resultado. Contudo, a pressão para alcançar notas altas e a necessidade de um desempenho perfeito podem se transformar em barreiras para o aprendizado. Embora seja essencial se dedicar, um perfeccionismo excessivo pode resultar em ansiedade, procrastinação e até mesmo esgotamento emocional.
O psicólogo Geovani Santiago, que é professor e coordenador do curso de Psicologia na Faculdade Anhanguera, observa que ter metas ambiciosas não é necessariamente negativo. O problema surge quando a autoexigência excessiva impede os alunos de aceitarem suas falhas e limitações inerentes ao processo educativo.
“Muitos jovens acreditam que devem dominar todos os conteúdos, acertar todas as questões e manter uma rotina perfeita. Essa expectativa irrealista pode levar à frustração e insegurança, fazendo com que o estudante se sinta incapaz, mesmo quando está progredindo”, acrescenta ele.
Impacto do perfeccionismo nos estudos
Dentre as atitudes mais frequentes entre esses estudantes estão a dificuldade em iniciar tarefas por medo de errar, a necessidade de revisar incessantemente o mesmo conteúdo e a sensação de que nunca se dedicaram o suficiente.
Santiago destaca que muitos alunos costumam ser mais exigentes consigo mesmos do que seriam com outros. É crucial entender que a aprendizagem envolve erros, incertezas e períodos desafiadores. Nem todos os dias terão a mesma produtividade, e isso não implica falta de capacidade ou comprometimento. Aprender requer paciência consigo mesmo”, ressalta o professor.
Sinais de alerta
O especialista aponta que alguns comportamentos podem ser indicativos de que a busca por resultados está se tornando prejudicial:
- Medo extremo de cometer erros;
- Sensação constante de inadequação no desempenho;
- Procrastinação devido ao temor de falhar;
- Ansiedade elevada em relação a simulados e provas;
- Dificuldade em relaxar sem sentir culpa;
- Tendência a comparar-se frequentemente com outros estudantes.
Caminhos para encontrar equilíbrio
Geovani Santiago sugere que os alunos estabeleçam metas realistas, valorizem momentos de descanso, dediquem tempo às atividades recreativas e aceitem que erros são partes naturais do aprendizado. Desenvolver uma abordagem mais gentil consigo mesmo durante a preparação é tão importante quanto estudar, reconhecendo os progressos feitos ao longo da jornada.
<p“O Enem é uma prova significativa, mas não determina o valor ou as habilidades de uma pessoa. É essencial compreender que o aprendizado acontece gradualmente e exigir perfeição constante pode causar mais danos do que benefícios”, afirma ele.
Muitas vezes, os estudantes sentem culpa ao tirar um tempo para descansar ou para desfrutar atividades prazerosas. Contudo, o descanso deve ser encarado como algo valioso. Momentos de pausa, lazer e convívio social são fundamentais para manter a atenção, motivação e saúde mental durante toda a preparação para o exame.
<p“A disciplina é importante, mas cuidar da saúde mental também é parte integral da preparação para o Enem. Os estudantes não precisam ser perfeitos para alcançar bons resultados. Respeitar seus próprios limites, reconhecer as conquistas e permitir-se descansar é tão fundamental quanto seguir rigorosamente um cronograma de estudos. O equilíbrio frequentemente resulta em desempenhos mais consistentes do que a incessante busca pela perfeição”, conclui Geovani Santiago.
Por Priscila Dezidério
A postagem sobre o Enem 2026: quando a busca pela nota perfeita se torna um problema? foi publicada pela Catraca Livre.
