‘O contraste em Juiz de Fora: da água à lama, 8 mil desabrigados pelas chuvas’

Maria Tereza do Vale Oliveira, de 75 anos, enfrentou uma situação delicada no dia 23 de fevereiro deste ano, quando a chuva recorde a fez deixar sua casa. Ela viu a água invadir sua residência e presenciou a vizinha tentando ajudar. Atualmente, Oliveira é uma das 8.854 pessoas que se encontram desabrigadas ou desalojadas em Juiz de Fora devido às chuvas da última semana de fevereiro.

Por que isso importa?

  • O elevado volume de chuvas em Juiz de Fora é um alerta para todo o país, considerando que o Brasil possui mais de 1,6 mil municípios com alto risco para precipitações, conforme dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Mudou-se temporariamente para a Escola Municipal Professor Paulo Rogério de Souza com seus poucos pertences salvos pelo filho. Oliveira convive com a neuralgia do trigêmeo e se preocupa com o futuro de sua casa, que representou uma vida inteira de construção.

Deram-lhe um imóvel alugado na mesma rua, mas teme pela possibilidade de não poder retornar à sua antiga moradia. A família encontrou um proprietário solidário que forneceu mobílias básicas. Há denúncias de aumento abusivo dos aluguéis após a tragédia, que estão sendo investigadas pelo Procon.

‘Percebemos que não era uma chuva normal’

Registrou-se o maior volume de chuvas já visto em Juiz de Fora em fevereiro, desde 1972. Sara Souza, 27 anos, também está desalojada devido às intensas chuvas no Bairro Monte Castelo. Se mudou temporariamente para a casa da sogra após o alerta da Defesa Civil.

Acompanhada pela mãe, aguarda um laudo técnico que avaliará os danos causados às residências. A Prefeitura reconhece a angústia das famílias desalojadas e destaca as medidas de suporte em andamento.

Desalojada duas vezes

Mariane Sequeto, 36 anos, testemunhou o desmoronamento de uma casa próxima à sua residência. Com rapidez, ela e a mãe foram evacuadas e precisaram se abrigar em outro local, que também foi evacuado posteriormente. Aguardam nova avaliação do imóvel antes de retornar.

Escolas abrigam a comunidade

14 escolas municipais suspendem suas atividades para abrigar os desabrigados e desalojados. A Escola Municipal Professor Paulo Rogério dos Santos fornece suporte médico, psicológico e hospedagem para os afetados pelas chuvas.

Hugo Teixeira Macedo, 39 anos, está entre os abrigados na escola e aguarda informações sobre o próximo destino. A solução para o retorno das aulas também está em pauta, com a gradual desmobilização dos pontos de acolhimento conforme a segurança dos imóveis.

By Brasilia Hoje

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