Quem está apostando no apocalipse?

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Nos últimos cinco anos, tenho me interessado bastante em uma discussão no jornalismo climático sobre quem se beneficia ao ignorar a gravidade das mudanças climáticas. Quem confia que terá vantagens enquanto todos vão sofrer as consequências. Foram essas reflexões que me motivaram a lançar, em 2022, com a Rádio Novelo, o podcast Tempo Quente, que investigou as forças econômicas e políticas que trabalham para impedir avanços na área ambiental e climática. 

O aspecto mais evidente dessa problemática é o lado econômico – empresas que não querem mudar seus negócios altamente lucrativos, como as grandes companhias de petróleo. O capitalismo nu e cru, priorizando o lucro de curto prazo, mesmo às custas do planeta. 

As mudanças climáticas afetarão a todos, de acordo com os cientistas. Os mais pobres e vulneráveis serão os mais atingidos, sofrendo mais danos e mortes. O futuro que estamos criando não será positivo para ninguém, e é difícil compreender por que essa mentalidade ainda predomina. 

Recentemente, durante um debate sobre estratégias para reduzir a dependência de combustíveis fósseis, o embaixador brasileiro André Corrêa do Lago expressou sua preocupação com setores que apostam em um cenário de mudanças climáticas graves. Ele falou sobre o risco de acentuar as diferenças sociais e injustiças, um comportamento imoral e perigoso.

A ideia de uma nova Idade Média, onde os ricos estão protegidos e o resto da humanidade sofre com as mudanças climáticas, é assustadora. É necessário mostrar que um mundo alternativo é viável e essencial, e unir esforços contra aqueles que lucram com a desgraça. 

Corrêa do Lago não identificou os setores que mencionou, mas destacou a importância de um modelo mais justo e progressista. Em um evento com lideranças da Colômbia, Brasil e economistas, falou-se sobre iniciativas para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e elaborar estratégias alinhadas com o Acordo de Paris. 

Esses esforços buscam apresentar alternativas concretas para a transição necessária, considerando diversos aspectos, como econômicos, sociais e energéticos, além de questões de justiça. A solução precisa ser incentivada para vencer a imoralidade que persiste. 

By Brasilia Hoje

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