Paciente do DF enfrenta condição rara que provoca vazamento do líquido cerebrospinal

Alexandre Ferraz Batista de Oliveira, de 46 anos, residente no Distrito Federal, iniciou uma longa jornada em busca de tratamento. Após diversas consultas, exames e tomografias, foi diagnosticado com uma “fístula liquórica espontânea”, uma condição que ocasiona o vazamento do líquido que envolve o cérebro e a medula espinhal.

De acordo com Alexandre, as dores que sente na cabeça e na coluna são descritas como “queimações” e não diminuem nem mesmo com os analgésicos mais potentes. Além disso, ele lida com desmaios e lapsos de memória.

Apesar de ter passado por vários procedimentos médicos, nenhum foi eficaz. A família nutre agora a esperança de que uma cirurgia realizada por um neurocirurgião em São Paulo, experiente nesse tipo de condição, possa trazer alívio.

“Quando a dor se torna intensa, começo a ter dificuldade para me expressar e, em certos momentos, perco a consciência. Antes, às vezes dormia por mais de um dia e não me lembrava de nada”, conta Alexandre.

A intensidade da dor limita suas atividades físicas. Alexandre, que trabalhava como segurança, teve que se aposentar por invalidez.

Com duas filhas, ele atualmente vive de sua aposentadoria e realiza trabalhos autônomos esporádicos para complementar a renda.

“Um dia você é ativo, trabalha, brinca com suas filhas; no outro, precisa de ajuda para as coisas mais simples, até para pagar contas”, desabafa.

Entenda a condição

Alexandre após um procedimento médico para tratar sua condição — Foto: Reprodução

O neurocirurgião Fabio Simões Fernandes, do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB), explica que o cérebro e a medula estão envolvidos em um líquido chamado “líquor”, que é semelhante à água.

“O cérebro e a medula estão protegidos por uma membrana impermeável chamada dura-máter. Quando há uma fragilidade nessa membrana, ocorre o vazamento do líquor, resultando em uma fístula liquórica”, esclarece.

A fístula pode ser secundária, decorrente de traumas ou intervenções cirúrgicas no sistema nervoso central, ou primária, que ocorre de forma espontânea — como no caso de Alexandre.

Segundo o especialista, as fístulas espontâneas são raras, com uma incidência de cerca de cinco casos a cada 100 mil habitantes.

O diagnóstico é realizado com base nos sintomas e nos resultados de exames. Entre os sinais estão a dor de cabeça e os vômitos, que tendem a se agravar durante atividades físicas ou em posições verticais, com melhora ao deitar.

“As fístulas liquóricas são tratáveis. Medicações podem auxiliar na redução da produção do líquor, e repouso é essencial. Quando não há melhora, a cirurgia se torna necessária para corrigir a membrana”, explica Simões.

Início dos sintomas

Cinthia Sobral Ribeiro, ex-esposa de Alexandre e enfermeira, relata que ele era saudável até o surgimento de dores de cabeça intensas, vômitos e náuseas.

Os sintomas se intensificavam quando ele estava em pé e mostravam leve melhora ao deitar.

“Os exames de sangue eram normais, mas ele estava em sofrimento constante. Sempre busquei respostas, pois o que ele sentia não era típico, não era uma simples infecção intestinal. Era algo sério”, relembra.

Após passar por diversas unidades de saúde e realizar vários exames, o diagnóstico de fístula liquórica espontânea foi confirmado. Contudo, a localização exata do vazamento era complexa de identificar, tornando o tratamento mais desafiador.

Nenhum especialista se sentiu seguro para realizar a cirurgia devido à complexidade do caso e à dificuldade em localizar a fístula. A família foi aconselhada a procurar um especialista em São Paulo.

Segundo Cinthia, Alexandre passou por vários procedimentos menos invasivos, incluindo tentativas de fechar a fístula utilizando seu próprio sangue, mas nenhuma abordagem foi eficaz.

Esperança

Alexandre e sua filha Isabela; a jovem criou uma vaquinha virtual para tentar custear a cirurgia do pai — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Após uma avaliação médica com o neurocirurgião Roger Brock, um especialista em procedimentos desse tipo em São Paulo, a família vê uma cirurgia como a esperança para uma recuperação mais rápida.

Entretanto, os custos de uma cirurgia particular são elevados. Isabela Vitória, a filha mais velha de Alexandre, lançou uma vaquinha virtual para arrecadar fundos para a viagem e o procedimento.

“Ele falava pouco sobre sua condição para não nos alarmar. Mas, com o tempo, percebi que ele não estava melhorando. As quedas de consciência me deixavam assustada, pois às vezes o encontrava desmaiado na cozinha ou no banheiro”, conta Isabela.

“É angustiante ver isso diariamente, principalmente porque estudo e trabalho o dia todo. Sempre me pergunto como vou encontrar meu pai ao voltar para casa, se ele estará bem ou desmaiado. Decidi, por isso, criar a vaquinha”, relata a filha.

Isabela informa que o orçamento para a cirurgia no Hospital Sírio-Libanês, onde o médico Roger Borck atua, é de R$ 71.930, embora esse valor seja uma estimativa e possa aumentar dependendo do tratamento.

Até a última atualização desta reportagem, ela havia arrecadado R$ 1.805 através da vaquinha.

By Brasilia Hoje

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