Um trem impulsionado por hélices de avião deslizou pela Alemanha em 1931 a impressionantes 230 km/h, como se fosse uma máquina do tempo.

No ano de 1931, quando a maioria das locomotivas ainda utilizava a força do vapor, um inovador trem metálico deslizava pelos trilhos da Alemanha a uma velocidade impressionante de mais de 230 km/h. O Schienenzeppelin, apelidado de zepelim ferroviário, foi projetado com um motor de avião e uma grande hélice na parte traseira, alcançando uma performance que parecia futurista para a época.

Como surgiu o zepelim ferroviário?

Idealizado pelo engenheiro aeronáutico Franz Kruckenberg, o projeto visava incorporar aos trens as características de leveza e aerodinâmica dos dirigíveis. A concepção começou em 1929 e o veículo foi construído com uma estrutura tubular em aço, revestido por alumínio e lona prateada resistente ao fogo.

Com cerca de 26 metros de extensão e um peso aproximado de 20 toneladas, sua forma alongada remetia aos icônicos dirigíveis Zeppelin, origem do seu nome. Surpreendentemente leve para os padrões da época, o trem atraía multidões nas estações devido ao seu design futurista, operando sobre apenas dois eixos.

O funcionamento da hélice no trem

Equipado com uma hélice de madeira na parte traseira, o Schienenzeppelin era impulsionado por um motor BMW de 12 cilindros. Ao invés de transferir a potência diretamente para as rodas, essa combinação empurrava o veículo pelo ar. A hélice estava levemente inclinada para baixo, o que ajudava a manter o trem firme nos trilhos durante acelerações.

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O interior do trem refletia a estética moderna da escola Bauhaus, apresentando piso em linóleo, acabamentos em madeira e assentos feitos com tubos metálicos. Apesar dessa aparência sofisticada, o espaço destinado aos passageiros era bastante limitado. O protótipo foi concebido como uma demonstração de velocidade e eficiência ao invés de priorizar a capacidade típica dos trens convencionais.

Quais foram os recordes do Schienenzeppelin?

No dia 21 de junho de 1931, durante uma viagem entre Hamburgo e Berlim, o Schienenzeppelin atingiu a impressionante marca de 230,2 km/h em um trecho entre Karstädt e Dergenthin. Este feito é reconhecido pelo Guinness World Records como a maior velocidade já registrada por um trem movido a hélice, alcançada através de um motor que gerava cerca de 580 cavalos.

  • 257 quilômetros foram percorridos na histórica jornada.
  • A viagem levou 98 minutos, desde a partida até chegar em Berlim.
  • A velocidade máxima registrada durante o trajeto foi 230,2 km/h.
  • Apenas após 24 anos, esse recorde seria superado.

Conforme relatos históricos da emissora NDR da Alemanha, essa viagem exigiu uma operação especial: os horários das ferrovias foram ajustados, passagens foram reforçadas e só uma seguradora britânica aceitou cobrir os riscos envolvidos. Milhares de pessoas se posicionaram ao longo dos trilhos para testemunhar essa máquina inovadora em movimento.

Assista ao vídeo disponível no canal do YouTube British Pathé, que apresenta o famoso zepelim ferroviário em funcionamento.

Pelo que o projeto não transportou passageiros?

A presença da hélice exposta representava um risco tanto para os passageiros nas plataformas quanto para os trabalhadores próximos aos trilhos. Além disso, esse sistema tornava manobras complicadas – marcha à ré e acoplamento com outros vagões eram tarefas difíceis. As curvas exigiam redução significativa da velocidade e a distância necessária para frenagem era longa demais para as condições normais das ferrovias.

A escassez de banheiros adequados, aquecimento e assentos suficientes contribuiu para a resistência por parte das autoridades ferroviárias. Para operar regularmente acima dos 200 km/h seria necessário construir novas linhas específicas e reorganizar totalmente os horários existentes. Com dificuldades econômicas enfrentadas pela Alemanha na época, a companhia ferroviária não dispunha dos recursos necessários para tais mudanças.

O trem falhou ou antecipou inovações futuras?

Ainda que tenha passado por modificações – incluindo a remoção da hélice e implementação de novos sistemas – o protótipo nunca entrou em operação comercial. Armazenado em Berlim em 1934, começou sua degradação até ser desmontado cinco anos depois. Restaram dele apenas registros fotográficos, miniaturas e memórias dessa ousada experiência.

Ainda que suas limitações tenham levado ao seu fracasso iminente, o zepelim ferroviário previu conceitos que hoje são fundamentais nos trens modernos de alta velocidade: carrocerias leves, formas aerodinâmicas e diminuição da resistência do ar. A trajetória desse projeto evidencia que inovações não precisam necessariamente ser comercializadas para impactar profundamente a engenharia e expandir as possibilidades percebidas por uma geração.

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By Brasilia Hoje

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