A transformação digital tornou-se prioridade nas agendas corporativas, mas a taxa de insucesso ainda é alta. Projetos caros, expectativas frustradas e baixo retorno sobre investimento são mais comuns do que se imagina. Para Ansano Baccelli Junior, o problema raramente está na tecnologia escolhida — e quase sempre na forma como ela é implementada.
Segundo ele, “empresas não falham por tentar inovar, mas por não alinhar inovação à estratégia, às pessoas e aos processos”.
Confundir digitalização com transformação
Um dos erros mais recorrentes, segundo Ansano Baccelli Junior, é acreditar que substituir ferramentas antigas por novas plataformas significa transformação digital.
Muitas organizações:
digitalizam processos ineficientes,
automatizam tarefas isoladas,
mantêm a mesma lógica de decisão.
Para ele, “digitalizar o processo antigo não muda o modelo mental da empresa”.
Falta de estratégia clara
Outro fator crítico é a ausência de direcionamento estratégico. Empresas iniciam projetos digitais sem:
objetivos definidos,
métricas de sucesso claras,
alinhamento entre áreas.
Sem estratégia, a transformação vira um conjunto de iniciativas desconectadas.
“Tecnologia sem direção vira custo operacional”, afirma Baccelli Junior.
Resistência cultural e liderança despreparada
Transformação digital é, acima de tudo, transformação cultural. No entanto, muitas empresas ignoram esse aspecto. Problemas comuns incluem:
resistência de equipes à mudança,
lideranças que não utilizam as novas ferramentas,
medo de errar e experimentar.
Segundo Ansano Baccelli Junior, “sem liderança engajada, qualquer projeto digital se torna superficial”.
Investimento em tecnologia sem revisar processos
Automação e sistemas modernos não compensam processos mal estruturados. Empresas que não revisam seus fluxos operacionais acabam:
automatizando gargalos,
ampliando erros,
dificultando integrações futuras.
Para ele, “tecnologia amplifica o que já existe — inclusive as falhas”.
Falta de integração entre sistemas
Outro ponto recorrente é a criação de “ilhas digitais”. Isso ocorre quando:
diferentes departamentos usam plataformas isoladas,
dados não são compartilhados,
relatórios apresentam inconsistências.
Segundo Baccelli Junior, “transformação digital exige integração. Sem integração, não há inteligência”.
Expectativa de retorno imediato
Muitas empresas falham porque esperam resultados rápidos demais. Transformação digital exige:
tempo de adaptação,
aprendizado contínuo,
ajustes progressivos.
“Não existe transformação estrutural com mentalidade de curto prazo”, ressalta.
Foco excessivo na ferramenta, não no cliente
Outro erro estratégico é priorizar a tecnologia em si e não o valor entregue ao cliente. Empresas que falham frequentemente:
implementam sistemas complexos,
tornam processos internos mais sofisticados,
mas não melhoram a experiência do usuário.
Para Ansano Baccelli Junior, “se o cliente não percebe valor, a transformação não aconteceu”.
Ausência de cultura orientada a dados
Mesmo após investir em tecnologia, muitas empresas continuam decidindo com base em intuição. Sem uma cultura orientada a dados:
métricas são ignoradas,
decisões permanecem subjetivas,
oportunidades passam despercebidas.
Segundo ele, “dados só geram transformação quando viram critério real de decisão”.
Conclusão
Na análise de Ansano Baccelli Junior, a maioria das falhas em transformação digital não está ligada à tecnologia, mas à falta de alinhamento entre estratégia, cultura, processos e liderança.
Como ele resume:
“transformação digital não começa no software; começa na mentalidade.”
Empresas que compreendem essa lógica deixam de tratar a digitalização como projeto isolado e passam a enxergá-la como evolução estrutural contínua — condição essencial para competitividade e sustentabilidade no longo prazo.v
